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O dom da Castidade

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Caríssimos irmãos e irmãs!

Esta é uma frase que tem um profundo amor por detrás, pois a sexualidade, segundo o Catecismo da Igreja Católica “afeta todos os aspectos da pessoa humana, em sua unidade de corpo e alma”(1), mas, sobretudo a doação de pessoas que estão dispostas a estar em comunhão, isto é, aprender o valor de ser amado e de amar (2).

Do ponto de vista teológico, a virtude da castidade faz-se possível como participação na caridade de Cristo, que, no Espírito, dá a cada um a capacidade de amar, segundo a forma vocacional específica.

A virtude da castidade exige a autoposse e o autodomínio. Trata-se da castidade de transcender as próprias reações imediatas. É a capacidade de viver os dinamismos somáticos e psíquicos, as reações.

Desta forma, assumem um valor particular a experiência e a virtude do pudor. Este protege a pessoa das reações sexuais do seu corpo, para salvaguardar a possibilidade do amor. O pudor dirigi-se a fazer com que o valor pessoal da corporeidade não seja obscurecido por valores parciais, ligados à genitalidade, de maneira que o olhar concupiscente não tome a dianteira e perturbe a relação.

Outro elemento que faz parte da virtude da castidade é a continência. Se, de fato, a integração dos dinamismos sexuais, no amor, é uma história a levar adiante em um caminho de formação, então não se pode eliminar a luta interna, a ascese e a renúncia. Em outras palavras: a continência é caminho para a castidade.

O Conselho Pontifício para a Família em seu documento, Sexualidade Humana: Verdade e Significado – orientações educativas em família nos dizem em breves linhas a

respeito do dom da castidade:

“A castidade supõe uma aprendizagem do domínio de si, que é uma pedagogia da liberdade humana. A alternativa  é clara: ou o homem comanda as suas paixões e alcança a paz, ou se deixa comandar por elas e torna-se infeliz. Todas as pessoas sabem, até por experiência, que a castidade exige que se evitem certos pensamentos, palavras e ações pecaminosas, como São Paulo teve o cuidado de esclarecer e recordar… Por isso se requer uma capacidade e uma atitude de domínio de si que são sinal de liberdade interior, de responsabilidade para consigo mesmo e para com os outros e, ao mesmo tempo, testemunham uma consciência de fé, este domínio de si comporta tanto o evitar as ocasiões de provocação e de incentivo ao pecado, como o saber superar os impulsos instintivos da própria natureza.”  (3)

A castidade não goza de boa fama, hoje em dia, como, aliás, em geral, o próprio nome de virtude. Quando se pronuncia o nome de virtude, vem à mente algo de medíocre: uma atitude de vida privada, amedrontada diante do humano

e dos seus riscos, no final das contas, algo de egoístico, porque fechado em si mesmo e voltado apenas para o próprio auto-aperfeiçoamento. Além do mais, do ponto de vista teológico, pesa sobre a virtude a reserva do pensamento protestante, segundo o qual ela implicaria uma suficiência naturalista da pessoa no realizar o bem, de tipo pelagiano, que obscurecia a gratuidade do dom.

Particularmente, é costume pensar que a castidade se opõe a uma vida emotiva e sensível: o homem perfeitamente casto seria aquele até mesmo o desejo. Ora, este é o ideal estóico da virtude, como a eliminação das paixões e dos desejos: o ideal da perfeita indiferença. Não é, no entanto, o ideal cristão. Com efeito, para o cristão, a castidade não é repressão das paixões, mas antes a virtude que torna possível o amor autêntico, integrando as dimensões do instinto e da afetividade na dinâmica de amadurecimento pessoal rumo ao dom de si e à acolhida do outro. Uma virtude que se abre à relação com os outros, no reconhecimento da sua dignidade de pessoas. Uma virtude que é fruto, em nós, do Espírito Santo, enquanto realiza a caridade na dimensão sexual dos nossos relacionamentos.

(1) Catecismo da Igreja Católica, 2332.
(2) CONSELHO PONTIFICIO PARA A FAMÍLIA. Sexualidade Humana: Verdade e Significado – orientações educativas em família 3ª edição, p. 15 n. 11, 2002.

(3) Ibid, n. 18

Seminarista Francisco Fabiano